“Com a arte digital pós-moderna a imagem passa a ser uma manifestação secundária – um epifenómeno material, por assim dizer – do código abstracto que, de certo modo, se converte no veículo principal da criatividade. (...) A imagem já não existe por direito próprio, a sua função é sacar à luz o código invisível sem reparar ao meio material empregado”.
Donald Kuspit
No extenso mundo que se nos apresenta através das milhares redes de computadores que nos ligam a toda a parte do mundo, a Internet assume-se não só como um importante meio de divulgação artístico mas também criativo.
Afigurando-se como um mundo oculto do olhar (o mundo digital necessita de um interlocutor para ser apreendido, em geral um ecran de computador) um outro mundo (virtual e não real) se vislumbra para lá dos pixels luminosos que o separam da nossa realidade. Para conhecermos este mundo, para percebermos as suas potencialidades criativas, devemos interagir com ele.
Toda a arte é uma “plastificação” de conceitos, de códigos e sinais próprios. Códigos e sinais que vivem dissimulados num determinado suporte físico. E se fosse possível retirar o suporte em que estes “existem”, o que aconteceria? Perder-se-iam estes no vazio? Ou abrir-nos-iam um outro mundo antes vedado aos nossos olhos pelo objecto?
O digital veio permitir criar conceitos sem objecto. Criar arte sem materialidade.
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